O Verdadeiro Messias

Messias é uma palavra que em hebraico significa ungido. Querem afirmar que Jesus foi o “messias” prometido através de interpretações muito vagas, colhidas e ordenadas de alguns trechos esparsos das Escrituras, atribuídas a alguns “profetas”.

Citam, por exemplo, Malaquias que, no capítulo 3:l , diz: “ Eis que eu envio o meu anjo, que aparelhará o caminho diante de mim; e de repente virá ao seu templo o Senhor, a quem vós buscais, e o anjo do concerto a quem vós desejais”.

Isaias, em 7:10 diz: “E continuou o Senhor a falar com Achaz: “Pede para ti um sinal. Porém Achaz disse: “Não o pedirei, nem tentarei ao Senhor”. No mesmo capítulo 7, versículos 14 e l5, diz: -”Portanto o mesmo Senhor vos dará um sinal: Eis que a virgem conceberá, e parirá um filho, e chamará o seu nome Emanuel. Manteiga e mel comerá, até que ele saiba rejeitar o mal e escolher o bem”.

Nesses dois trechos não há qualquer referência que faça lembrar Jesus da Galiléia.

Na Bíblia Sagrada, dos Missionários Capuchinhos, Lisboa, 1974, folha 708, consta o seguinte comentário: “Historicamente, a jovem (virgem) é a esposa do Rei Achaz, que vai dar à luz o seu primeiro filho, Ezequias”.

Vê-se que essa “profecia” de Isaias não se refere, também, a Achaz, pois seu filho se chamou “Ezequias”, e não Emanuel.

Citam, também, como anunciante do “messiado” para Jesus, o “profeta” Daniel. Em 9:24, diz: “Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade, para consumir a transgressão, e para acabar os pecados, e para expiar a iniquidade, e para trazer a justiça eterna, e para selar a visão e o profeta, e para ungir o santo dos santos”.

Aí, também, não há qualquer referência que possa lembrar Jesus, pois ele não acabou com os pecados e nem trouxe qualquer justiça para quem quer que seja, muito menos para os judeus, que permaneceram dominados pelos romanos até à sua completa destruição.

Isaias, ainda, no capítulo 53:3-5, diz:

“Era desprezado, e o mais indigno entre os homens, homem de dores, e experimentado nos trabalhos; e como um de quem os homens escondiam o rosto era desprezado, e não fizemos dele caso algum. Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Porém ele foi ferido pelas nossas transgressões, e moído pelas nossas iniqüidades: o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.”

Isso, aparentemente nada tem a ver com Jesus ou qualquer dos outros “messias” que surgiam em épocas de sofrimentos do povo de Israel. Jesus não foi moído por nenhuma iniquidade e nem fomos sarados por suas pisaduras, pois a vida continuou tão infeliz para os pobres como já era desde épocas remotas. Jesus foi condenado por desrespeitar as leis dos judeus, e caluniado por estes de sedição contra Roma, obtendo o assentimento de Pilatos para sua condenação que, ao princípio, desejou libertá-lo. Não foi condenado por ter sido um pacato e humilde pregador, ou como inovador de nova seita, mas como um criminoso comum.

A outro profeta, Sofonias, querem atribuir uma referência sobre a futura atuação messiânica de Jesus, quando diz, em 3:8:

“Portanto espera-me, diz o Senhor, para o dia vindouro da minha ressurreição, porque o meu intento é congregar eu as gentes, e unir os reinos: e derramarei sobre eles a minha indignação, e toda a ira do meu furor: porque toda a terra será devorada pelo fogo do meu zelo.”

Isto, também, nada tem a ver com Jesus: ele não congregou as gentes, nem muito menos trouxe paz para os diversos reinos e nem os destruiu pelo fogo.

O único "messias" que pode ser identificado literalmente nos escritos bíblicos, aquele que realmente libertou o povo judeu quando se achava em cativeiro, é minimizada a sua atuação e substituído por outro sem qualquer abono nas Escrituras, mas que foi moldado para atender interesses de potentados e do clero, com o exclusivo fim de domínio sobre o povo.

Quando os hebreus se encontravam escravizados na Babilônia, um dos mais respeitáveis profetas da sua história, Isaias, fala claramente, sem qualquer dúbia interpretação, sobre a vinda do "messias" salvador: -(Capítulo 41:2) -"Quem suscitou do Oriente (Pérsia) o justo? e o chamou para o seu pé? quem deu as nações à sua face? e o fez dominar sobre reis? ele os entregou à sua espada como o pó e como pragana arrebatada do vento ao seu arco. (41-25): -Despertou a um do norte, que há de vir do nascimento do sol, e invocará o meu nome; e virá sobre os magistrados, como sobre o lodo, e, como o oleiro pisa o barro, os pisará. (44:28):

- Que diz de Cyro: "É meu pastor, e cumprirá todo o meu contentamento: dizendo também a Jerusalém: Sê edificada; e ao Templo: Funda-te. (45:1-2): - Assim diz o Senhor ao seu ungido, a Cyro, a quem, tomo pela sua mão direita, para abater as nações diante de sua face, e eu soltarei os lombos dos reis, para abrir diante dele as portas, e as portas não se fecharão. Eu irei diante de ti, e endireitarei os caminhos tortos; quebrarei as portas de bronze, e despedaçarei os ferrolhos de ferro. (45:3): - E te darei os tesouros das escuridades, e as riquezas encobertas, para que possas saber que eu sou o Senhor, o Deus de Israel, que te chama pelo teu nome. (45:5): - Eu sou o Senhor, e não há outro: fora de mim não há deus: eu te cingirei, ainda que tu me não conheças. Em 46:11 -: -" Chamo o abutre do Oriente, e do país longínquo, o homem dos meus desígnios".

Onde consta na Bíblia indicação mais clara sobre o esperado “messias” que salvaria Israel das opressões?

Dizer que a Bíblia apregoa o futuro "messias" na pessoa de Jesus, é uma interpretação destituída de fundamento e completamente tendenciosa, pois Jesus nunca libertou o povo judeu que se encontrava dominado pelos romanos. Poucos anos depois, Tito tomou Jerusalém, incendiou e destruiu a cidade e o Templo, e expulsou da Palestina todos os judeus, que permaneceram sem pátria e sem território, por quase dois mil anos, até que, após a chamada segunda guerra mundial lhes foi concedido um território, com o poder das armas das potências vitoriosas. Não poderia ser interpretado como o “messias” um general americano, ou inglês? Pois foram estes que libertaram realmente, pela segunda vez, o povo judeu e lhes deu uma pátria poderosa no convívio das nações.

0 comentários: