Nem sempre Jesus se mostrou manso e humilde de coração como querem apresentá-lo os cristãos. Nas próprias Escrituras, no que se encontra relatado nos Evangelhos, sem qualquer sofisma para distorcer as informações, ele se apresenta de gênio, às vezes, ríspido e intolerante.
Suas atitudes, nem sempre são paradigmas de bondade como era de se esperar de um Deus humanizado, que se encarnou na Terra, para salvar a humanidade pecadora, que ele mesmo havia criado, como componente da “Santíssima Trindade”.
É preciso que se estude e se investigue o que consta literalmente nos Evangelhos, imparcialmente, deixando de lado qualquer sectarismo, pois, só e unicamente através deles é que se tem algum conhecimento da existência e da vida de Jesus.
Não basta lê-los, em horários determinados, como uma obrigação imposta aos crentes, sob a interpretação tendenciosa de um ministro de convicções tradicionalistas, que não vêem neles um monumento histórico e interessante, mas um amontoado de interpretações impostas para dominar as consciências das pessoas de espírito fraco, sem o menor exame criterioso.
Tudo faz crer que os Evangelistas tentaram descrever Jesus como um homem igual a qualquer outro, com a única diferença de ser outro pregador, como dezenas que surgiam entre os israelitas sofredores, sem maiores pretenções a fazerem dele um santo, muito menos deus.
Sabe-se que os Evangelhos não foram escritos pelos apóstolos, pobres e ignorantes pescadores da inculta Galiléia, de onde não poderiam surgir intelectuais, conforme disseram Natanael (João 1:46): “Disse-lhe Natanael: pode vir alguma coisa boa de Nazaré?, e outros diziam: “É esse o Cristo: mas diziam outros: Vem pois o Cristo da Galiléia? (João, 7:4l) e: (João, 7:52): - Tu és tambem da Galiléia? Examina, e verás que da Galiléia nenhum profeta surgiu.
Os Evangelhos surgiram em datas diversas, escritos por anônimos que transcreveram, às suas maneiras, tradições orais atribuídas a Mateus, no ano 65; a Marcos, em 63; a Lucas, em 80, e João, por volta de 90, ou mesmo após o ano 100, após a sua morte.
Somente Paulo, com sua exaltada religiosidade, quis transformar-se em inovador de uma doutrina, usando, para tanto, da sua intelectualidade, já que sobre a de Jesus nada se sabe.
Querem impor, no século XX, as fantasias da Idade Média, quando a Inquisição era a única entidade que tinha o direito de pensar e de instruir, sob a ameaça das fogueiras e dos patíbulos. Dizia através da “Imitação de Cristo”, (Livro l°, Cap. 2, Item 3): -” Quanto mais e melhor souberes, tanto mais rigorosamente serás julgado, se com isso não viveres mais santamente”.
A credulidade, em épocas passadas, era alimentada por força do temor do lendário inferno, das maldições e excomunhões, que faziam do povo um rebanho subserviente, sem pensamento próprio. Não se pode dizer que o povo era infeliz. Acreditar numa superstição e comungar dos seus rituais, faz do crente, mesmo aterrorizado, uma pessoa de consciência tranqüila dentro das suas limitações e até, mesmo, feliz.
Jesus quando menino, era igual a todos os outros da sua idade; brincava, brigava, batia e apanhava, e fazia suas travessuras no ambiente pobre em que vivia, da mesma maneira que os meninos de hoje. Só podemos ter idéia de um Jesus menino, se observarmos outras crianças e colocarmos Jesus no meio delas.
Os Evangelhos, que foram dezenas, deveriam fornecer mais luz e informações sobre sua infância e juventude. Mesmo fora dos apócrifos, nos Evangelhos aceitos pela Igreja, não se furtaram, seus escritores, de fornecer fatos que demonstram a humanidade nada divina de Jesus.
“Como qualquer estudioso sabe, os Evangelhos, como documentos e testemunhos históricos, são reconhecidamente inconfiáveis”. (Manuscritos do Mar Morto, pg. 13 - Michael Baigent e Richard Leigh).
Até a idade de Jesus é desconhecida. Lucas, em
João, que foi companheiro de Jesus, no capítulo 8, do seu (?) Evangelho, falando sobre uma polêmica de Jesus com os judeus, diz: “Disseram-lhe os judeus: ainda não tens 50 anos, e viste Abrahão?”
Teriam os judeus confundido a idade de Jesus, vendo nele um qüinquagenário, quando deveriam ver apenas um jovem de menos de 30 anos? Pode-se confundir idades dessa maneira?
É uma contradição cuja explicação nunca poderá ser desfeita, do contrário ter-se á que admitir que um dos escritos não diz a verdade, portanto não foi inspirado pelo Espírito Santo, sendo, em conseqüência, falso ou apócrifo.
Jesus não era ingênuo nem ignorante. Se Mateus, no seu Evangelho canônico, diz que José abandonou Maria, sua mãe, por esta lhe haver ocultado o seu estado de gravidez, antes de se casarem, portanto lhe mentindo, porque Jesus não teria conhecimento desse fato?
Não seria, para ele, um motivo de revolta, saber que era um filho bastardo? Como seria tratado por seus companheiros de infância que, em momentos de atritos, não deixariam de lhe impingir sua procedência, que era desabonadora, aos olhos judeus?
O próprio José não quis manter, com sua esposa, as relações normais entre casais unidos pelo matrimônio, até que esta se desvencilhasse do fruto que trazia no seu ventre, cuja paternidade lhe fôra ocultada por Maria. “E não a conheceu até que deu à luz o seu filho, o primogênito; e pôs-lhe por nome Jesus”. (Mateus, l:25).
Desde menino, Jesus mostrou-se rebelde, tanto que aos doze anos, aproveitando-se do descuido dos seus pais, desgarrou-se da família e se perdeu na multidão dos romeiros que visitavam Jerusalém nas épocas de festas, como acontece atualmente nas grandes festividades, religiosas ou profanas, nas grandes, ou mesmo, pequenas cidades.
Sua mãe ficou apreensiva com essa irresponsabilidade, aliás, de ambos, quando o recriminou, dizendo: "Filho, porque fizeste assim para conosco? Eis que teu pai e eu ansiosos te buscávamos". (Lucas, 2:48). Será que José e Maria haviam se esquecido de que seu filho fôra profetizado por um anjo como "filho do Altíssimo"; e que o Senhor Deus lhe daria o trono de David, seu pai; e que reinaria eternamente na casa de Jacob, e o seu reino não teria fim? (Lucas, 1:32-33).
Como seus pais se descuidariam da segurança do filho, que seria rei, com absoluta certeza, já que isso teria sido dito pelo anjo Gabriel, emissário do próprio Deus? Não poderia esse relato, sobre o anjo, ter sido pura imaginação de Lucas, já que José e Maria, seus pais de fato, pareciam desconhecer tal predição?
No primitivo Evangelho de Mateus (26:1-3), não aceito pela Igreja, sobre a infância de Jesus, consta o seguinte: "Sucedeu isto depois da volta do Egito. Encontrava-se Jesus na Galiléia, e brincava um dia com outros meninos junto ao leito do Jordão. Assentou-se e construiu sete balsas de barro. .Mas, um daqueles meninos, filho do Diabo, fechou por maldade os orifícios que davam entrada à água nas balsas, e danificou a obra de Jesus. Este lhe diz: " Ai de ti, filho da morte, filho de Satanás. Te atreves a desfazer o que eu acabo de construir?" E no mesmo momento o rapaz caiu morto. (Vae tibi, fili mortis, fili Satanœ. Opera quœ operatus sum tu dissipas? Et statim qui hoc fecerat mortuus est).(Cap. 26:1)
Os pais do menino vão a José e Maria e lhes dizem, gritando: -"A maldição fulminada por vosso filho foi a causa de que morresse o nosso."
José diz à Maria, em voz baixa:-" Eu não me atrevo a dirigir-lhe a palavra. Fala tu com ele: "Porque hás concitado contra nós a odiosidade do povo, temos que suportá-la agora ingratamente?" ( Ego non audeo ille dicere; tu vero, mone eum et dic: Quare excitasti nobis odium populi, et sustinemus odium molestum hominum?)”(Cap. 26:2).
Maria pergunta a Jesus: - " Que fez ele para ter que morrer?'' Jesus respondeu:- "Bem merecida tinha a morte por haver desfeito o que eu havia construído." -Maria lhe diz:-" Não sejas assim, Senhor, porque todo o mundo protesta contra nós."
Então Jesus não querendo entristecer sua mãe, golpeou ligeiramente com o pé direito as nádegas do defunto e lhe diz:" Levanta-te filho da iniquidade; não eras digno de entrar no descanso do meu Pai por haver destruído o que eu havia edificado." Então se levantou o que havia estado morto e se retirou.( At ille nolens matrem suam contristari, pede suo dextro percutiens notes mortui dixit ad eum: Exsurge, fili iniquitatis; non enim dignus es intrare in requiem patris mei, quia dissipasti opera quæ ego fui operatus. Tunc qui erat mortuus surrexit et abiit.) (Cap.26:3)
No mesmo Mateus, cap. 28, consta: Pela segunda vez o filho do Sacerdote Anás tomou um bastão e, louco de ira, desfez à vista de todos, todas as balsas que Jesus havia construído.
Jesus ao ver isto, disse ao menino: " Oh germe péssimo de iniquidade, filho da morte, oficina de Satanás! O fruto da tua posteridade será inerte, tuas raízes sem frescura; tuas ramas, secas, desprovidas de frutos". No mesmo instante o menino caiu seco à vista de todos e morreu. (Iesus dixit: “O semen iniquitatis pessimum, o fili mortis, officina Satanæ, vere erit fructus seminis tui sine vigore, et radices tuæ sine humore et rami tui aridi, non ferentes fructum. Et mox videntibus cunctis arefactus est puer et mortuus est) (Cap.XXVIII)
No cap. XXIX, consta: “De improviso veio do lado contrário um rapaz, filho também da iniquidade, que se lançou em sua carreira contra os ombros de Jesus pretendendo fazer-lhe dano, se fosse possível”. Mas Jesus lhe disse: "Não te levantarás são do caminho por onde vais". No mesmo instante o menino caiu morto. (Dixit autem ei Iesus: "Non revertaris sanus de via tua qua vadis. Et statim corruit et mortuus est ).
Os espectadores do acontecimento disseram a José: "Tira esse Jesus de entre nós, pois assim não podes viver em nosso povo. Ou se não, dize-lhe que bendiga sempre em lugar de maldizer".
José recrimina Jesus, dizendo: "Porque fazes estas coisas? Há muitos que estão queixosos de ti. Por tua culpa nos têm ódio e nós temos que aguardar suas vinganças?"(Ut quid talia facis? Iam multi dolentes contra te sunt, et propter te habent nos odio, et molestias hominum sustinemus propter te".)
Mas naquele momento tomou Jesus a orelha do rapaz defunto e o suspendeu no ar à vista de todos. Os circunstantes puderam ver Jesus falar com ele como um pai fala a seu filho. Com isto retornou a ele sua alma e reviveu... (Eadem hora apprehendit Iesus infantem martuum ab aure et suspendit eum a terra in conspectu omnium, et viderunt Iesus loquentem cum eo tanquam patrem cum filio suo. Et reversus est spiritus suus in ipsum, et revixit...)
No cap. XXX - 2, José diz, referindo-se a Jesus: "E quem será capaz de governar e educar a este menino?" (Et quis est qui possit hunc infantem tenere et docere?).
Muitos outros fatos são narrados sobre o "menino Jesus" e seus milagres, dos quais falaremos em outro capítulo.
Mesmo depois de adulto, Jesus não conteve o seu gênio exaltado.
Havia momentos em que provocava tumulto e revolta entre seus ouvintes. Certa vez quase foi linchado na sua cidade, Nazaré, após um discurso na Sinagoga.
(Lucas, 4:28-29), diz:” E todos na Sinagoga, ouvindo estas coisas, se encheram de ira. E, levantando-se, o expulsaram da cidade, e o levaram até o cume do monte em que a cidade deles estava edificada, para dali o precipitarem”.
Noutra preleção disse coisas que escandalizaram os judeus. (João, 10:3l) conta: “ E os judeus pegaram então outra vez em pedras para o apedrejar”.
De outra vez, após falar aos seus ouvintes e discípulos, estes disseram: “Duro é este discurso; quem o pode ouvir? Desde então muitos dos seus discípulos tornaram para traz, e já não andavam com ele”. (João - 6:60 e 66).
Ainda de outra vez, sua mãe e seus irmãos foram em seu socorro, quando os ouvintes, certamente, tentaram agredi-lo. Marcos, 3:20-22, diz: “E foram para casa. E ajuntou-se outra vez a multidão, de tal maneira que nem sequer podiam comer pão. E quando os seus ouviram isto, saíram para o prender, porque diziam: “está fora de si!” ( Et cum audissent sui, exierunt tenere eum: dicebant enim: Quoniam in furorem versus est).
Isso significa que, às vezes, Jesus procedia como um insensato, no entender do Evangelista.
O espetáculo que provocou no Templo, apresentado pelos cristãos como um ato de revolta divina, defendendo o que dizia ser a casa do seu Pai, foi um dos motivos que apressaram a sua condenação, já arquitetada pelos padres desde suas atividades na Galiléia, onde andava em constantes atritos com os sacerdotes e os preceitos da Lei Mosaica.
Há de se compreender que a Palestina, no tempo de Jesus, era ocupada por romanos, e que estes sucederam aos gregos. Jerusalém estava situada numa rota estratégica de interesse de muitos povos. Havia o governo "de fato", em poder dos romanos, e um governo "títere", administrado pelos judeus, que tinham o Templo como sua sede, onde se praticavam os atos religiosos, diplomáticos, comerciais, de justiça e outros que não conflitassem com os interesses de Roma. Era nas dependências do Templo que estavam à venda as oferendas que os fieis eram obrigados a ofertar: os mais pobres, um casal de pombos; os remediados ofereciam ovelhas e, os mais afortunados, bois, ou jumentos, ou mesmo importâncias em dinheiro. Sem contar o pagamento do dízimo, obrigatório para todos.
O câmbio de moedas era prerrogativa dos Sacerdotes, que auferiam lucros nas conversões de dinheiros estrangeiros, tais como drácmas, denários e outros, por dinheiro judeu, como a gera, beca, siclo, mané e talento.
O desastrado procedimento de Jesus, no Templo, ao proceder como um louco açoitando os funcionários, espantando os animais das ofertas para os sacrifícios, derrubando as mesas dos cambistas, isso tudo aos gritos de que aquela era a casa do seu Pai, provocou a ira e a indignação de todos que ali se encontravam.
Certamente foi escorraçado e espancado pelos guardas do Templo, tendo que fugir precipitadamente, pois não consta que tivesse sido preso e encarcerado, nos relatos dos Evangelhos.
Nos tempos atuais a Igreja pratica o mesmo tipo de atividade que os "vendilhões" do Templo: vendem rosários, livros, água benta, santinhos de papel, estatuetas de centenas de santos e santas, velas, escapulários, bentinhos, breves, indulgências, relíquias de santos e todo tipo de comidas através de centenas de "camelôs" credenciados.
Caso um devoto estranho e pobremente vestido se apresentasse na Basílica de Aparecida do Norte num dia de festividade, quando milhares de romeiros cumpriam suas promessas, comprando bugigangas da Igreja, fazendo suas ofertas em dinheiro nas centenas de cofres expostos aos pés de centenas de imagens de santos e santas de suas devoções e passasse a espancar os vendedores e funcionários aos gritos de que ali era a casa do seu Pai, o que aconteceria com ele?
Certamente os padres não iriam carinhosamente solicitar que não procedesse daquela maneira. Se hoje os templos não mais têm sua guarda própria, têm à sua disposição uma polícia que não é nada delicada com os indesejáveis. A essa façanha, na Bíblia, dão o nome de "purificação do Templo". Mateus, em
Quando Jesus diz que entre seus "doze" escolhidos, todos certamente de sua inteira confiança, havia um que seria traidor, sem mencionar o seu nome, interrogado, responde: (João, 6:70)- “ Não vos escolhi a vós os doze? E um de vós é diabo”, foi um verdadeiro ato de terrorismo. Mais justo teria sido, se chamasse à parte o traidor em perspectiva e, com o seu divino poder de persuasão, o dissuadisse e o recuperasse para a obra missionária para a qual teria sido escolhido, desviando-o da traição que arquitetava, subornado pelos Sacerdotes.
Há, porém, que se considerar que Judas Iscariotes foi um importante personagem na vida de Jesus. Judas estava programado, desde o princípio dos tempos, de acordo com o pensamento bíblico, de que Deus conhecia o presente, passado e futuro de todas as suas criaturas, a desempenhar o seu papel, que era a traição, sem a qual não teria havido a prisão, e a conseqüente morte de Jesus, pelo menos naquela oportunidade.
Cada discípulo tinha a sua função indispensável para a formação da história de Jesus, e, como tal, Tomé teria o papel de símbolo da incredulidade; Pedro, o da negação, e Judas o da indispensável traição, para que a Escritura se cumprisse (João, l7:12).
Judas não cometeu qualquer traição, pois a sua representação no chamado “Drama do Calvário” estava programada pelo próprio Deus bíblico, como apregoa a religião, atribuindo-lhe o dom da presciência. Judas foi um dos atores, e teve o seu papel no “script”, sendo a sua atuação indispensável para a realização do drama em que Jesus foi o ator principal.
Sem esses acontecimentos, a existência de Jesus, talvez, nem tivesse sido conhecida, e nem haveria o cristianismo, morrendo ele, talvez, bem velhinho de barbas brancas.
Se o próprio Jesus não se achava com poderes para desviar do pecado um seu colaborador, como exigir dos seus discípulos conversões de gentios e pagãos?
Em Lucas, 9:59-60, quando Jesus escolhia os seus discípulos, chamou um dos presentes, dizendo: “ Segue-me. Porém ele disse: - “Senhor, deixa que primeiro eu vá enterrar o meu pai”.
Jesus, certamente mal humorado, demonstrando falta de caridade, lhe responde: “ Deixa aos mortos enterrar os seus mortos; porém tu vai e anuncia o reino de Deus”.
Outro diz a Jesus: “Senhor, eu te seguirei, mas deixa-me despedir-me primeiro dos que estão em minha casa”. E Jesus, talvez mal humorado, lhe diz: “Ninguém, que lança mão do arado e olha para traz, é apto para o reino de Deus”.
Mais adiante, em Lucas, 10:4, Jesus diz: ”Não leveis alforje, nem bolsa, nem alparcas; e ninguém saudeis pelo caminho.”
Com essas passagens, Jesus demonstra um grande mau gênio e menosprezo por seus seguidores, fazendo mesmo com que seus discípulos não fossem recebidos cordialmente, já que nem mesmo deveriam proferir uma simples saudação para aqueles a quem desejassem catequizar.
Quando disse a Pedro que seria traído por ele três vezes, após ouvir do Apóstolo um juramento de fidelidade (Mateus, 26:33-34 “ Porém Pedro, respondendo, disse-lhe: Ainda que todos se escandalizem em ti, eu nunca me escandalizarei. Disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que, n’esta mesma noite, antes que o galo cante, três vezes me negarás. Foi um ato de crueldade para com seu humilde e ignorante discípulo.
De outra vez Pedro o repreende quando quis ir a Jerusalém, onde sua prisão estava prevista e ele, não aceitando o conselho como uma prova de cuidado e de amor, lhe diz: "Arreda-te de mim, Satanás, que me serves de escândalo".
Um mau exemplo que deu aos seus discípulos foi ao amaldiçoar uma figueira por não ter frutos fora da época. (Mateus, 21-19). Após a maldição de Jesus, a figueira secou. Há alguma diferença entre esse acontecimento e a magia negra dos dias de hoje? Não teria sido muito mais sugestivo que a figueira se enchesse milagrosamente de frutos que pudessem saciar suas fomes?
Não teria havido um atentado à propriedade alheia? Essa figueira estaria dentro, ou fóra de uma herdade? Teria Jesus o direito de destruir uma árvore frutífera em domínio que não lhe pertencia?
E se seus discípulos, possivelmente cheios de poder divino, seguindo seu exemplo, passassem a excomungar tudo o que não satisfizesse suas necessidades imediatas?
Quando o chamam durante uma reunião, a pedido de sua mãe e dos seus irmãos, responde com agressividade: " Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?" E estendendo a mão para o povo, diz: - "Eis aqui minha mãe e meus irmãos". ( Ecce mater mea et fratres mei”, (Mateus, 12:47-49).
Mateus e João foram os evangelistas discípulos de Jesus que o conheceram e seguiram por espaço de um ano ou pouco mais. Mateus cita fatos sobre Jesus que o classificam de intolerante e revoltado. Em 10:34-37, menciona declarações de Jesus que não o enaltecem em nada. Jesus diz: - "Não cuideis que vim trazer a paz à Terra; não vim trazer a paz mas a espada; porque eu vim por em dissensão o homem contra seu pai; e a filha contra sua mãe; e a sogra contra sua nora; e serão os inimigos do homem os que são seus familiares".
Jesus demonstrava não gostar, também, da localidade que o acolheu e onde vivia. Em Mateus,
Durante a chamada Santa Inquisição, quando a Igreja levou às fogueiras centenas de milhares de "hereges", pelo simples fato de não freqüentarem às missas; dizerem palavrões como nos dias de hoje; não pagarem regularmente os dízimos, ou mesmo comerem carne às sextas-feiras, um Papa, Pio V, levou essas declarações fatídicas, atribuídas a Jesus, à prática. Emitiu uma Bula a todos os Bispos Católicos, nos seguintes termos:
Caríssimos irmãos:
Que nenhuma consideração humana ou divina vos faça parar no caminho em que entrastes; lembrai-vos que vosso divino Mestre disse: - Aquele que amar seu pai e sua mãe, seu filho ou sua filha mais do que a mim, não pode ser meu discípulo. O homem deve ter por inimigo os da sua própria casa, porque eu vim para separar o esposo da esposa, o filho e a filha do pai e da mãe. Não penseis que eu vim trazer a paz à Terra, vim para trazer a espada: combatei, pois, por mim sem trégua e sem temor, porque aquele que conservar a vida, perdê-la á, e aquele que a tiver perdido por amor de mim, achá-la á.
Que estas santas palavras sejam a regra do vosso proceder; torturai sem piedade, dilacerai sem misericórdia, queimai sem dó nem compaixão vosso pai, vossa mãe, vossos irmãos e vossas irmãs se não estiverem submetidos cegamente à Igreja Católica Apostólica Romana. (Jesus e sua Doutrina, pag. 159).
Antônio Ghisleri, antes de ser Papa, foi um frade muito zeloso para a salvação das almas dos hereges através da queima dos seus corpos em fogueiras, particularmente dos adeptos de Lutero ou mesmo dos judeus, compatriotas de Jesus. Aproveitando-se da religiosidade exacerbada da Rainha Catarina de Médicis, insistiu constantemente para que ela fizesse do seu fraco filho, o Rei Carlos IX, o braço vingador contra aqueles que desertaram da Igreja Católica Romana.
Em
"A ternura paternal com que estimamos a vossa pessoa e a dor que sentimos de ver o vosso reino tão cruelmente dividido pelas facções de vossos súditos heréticos e rebeldes, obrigando-nos a vos conceder prontamente o socorro de que tendes necessidade, em nome de DEUS ONIPOTENTE, enviamos a V. Majestade as tropas de infantaria e de cavalaria de que se servirá na guerra que os Huguenotes, vossos súditos, que são também INIMIGOS DE DEUS e da sua Igreja, atearam contra a vossa pessoa sagrada e contra o bem geral do reino." (A Questão Social e o Catolicismo, pag. 86)
Jesus com seu modo de vida irrequieto, e com suas pregações, não conseguiu convencer nem recrutar seus familiares, pois seus irmãos não criam no que pregava (João 7:5- “Porque nem ainda seus irmãos criam n’ele”). Quando se auto-promovia dizendo que era o pão descido do céu; de que seus seguidores deviam comer a sua carne, que é comida; e beber o seu sangue que verdadeiramente é bebida (João, 6:54-55), muitos dos seus discípulos tornaram para trás e já não andavam com ele, (João, 6:66) abandonando-o, por o julgarem "fora de si", e possuído do demônio (João,10:20).
Talvez Jesus não soubesse empregar bem os termos nas suas pregações, pois, de outra feita, ao pregar na sua cidade, Nazaré, foi mal compreendido pelos ouvintes, despertando neles uma verdadeira fúria assassina por causa do discurso que teria proferido. Lucas, em 4:28-29, diz: “E todos, na sinagoga, ouvindo estas coisas, se encheram de ira. E levantando-se, o expulsaram da cidade, e o levaram até ao cume do monte em que a cidade deles estava edificada, para dali o precipitarem.”
Seria alguém perseguido e assassinado por dizer coisas boas? Ou teria feito um discurso repleto de coisas detestáveis para as doutrinas judaicas?
Jesus pregava uma vida de pobreza e realmente a praticava. Em suas pregações, tanto ele como seus discípulos andavam pobremente trajados, como verdadeiros mendigos, pois havia dito: "Não leveis convosco para o caminho, nem bordões, nem alforjes, nem pão, nem dinheiro, nem tenhais dois vestidos".(Lucas, 9:3)
Se Jesus tivesse nascido filho de um Sumo Sacerdote, residindo em palácios, com criadagem à sua disposição, teria, como aconteceu a Buda, abandonado tudo, para ser um simples pregador das estradas?
Sobre os gastos pessoais, obrigatórios em quaisquer viagens, quando há exigências de pernoites, alimentação para ele e para seus doze companheiros, não há qualquer explicação.
Lucas, 8 : l-3, diz o seguinte: "Andavam de cidade em cidade, de aldeia em aldeia, pregando e anunciando o Evangelho do reino de Deus: e os doze andavam com ele. E também algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual saíram sete demônios, e Joana, mulher de Chuza, e Suzana e muitas outras que o serviam com suas fazendas.”
Como seriam essas mulheres que acompanhavam o grupo de Jesus? O Evangelista diz que foram curadas de espíritos malignos e de enfermidades, sendo que, Madalena, foi possuída, não por um, mas por sete demônios. Teria sido, então, uma louca furiosa, e sua loucura multiplicada por sete, pois um único demônio seria suficiente para desequilibrar qualquer razão. Havia também as enfermas, comparáveis a essas pobres mendigas abandonadas nas sarjetas das ruas das cidades, ou às portas das Igrejas, vivendo da caridade pública, humilhadas, e assim, dispostas a acompanhar quaisquer indivíduos que solicitassem suas companhias, compartilhando das suas dores e misérias.
Ora, se a recomendação era para que eles andassem sem dinheiro, pão, alforje, só com a veste do corpo, como se apresentaria esse grupo de, pelo menos vinte e cinco andarilhos, sujos e famintos? Com que fazendas as mulheres os serviam? Como seria recebido nas pequenas povoações esse grupo de "pregadores"? Como ciganos? Como dormiriam esses treze homens e outras tantas mulheres pelos caminhos, pois certamente não levavam barracas ou tendas portáteis. Haveria promiscuidade, ou se compenetrariam de que eram “santos” e respeitadores da abstinência carnal?
Já que houve tanta acomodação na atualização dos Evangelhos, porque não suprimiram essa narrativa desprimorosa atribuída a Lucas, e que permite uma insinuação nada santa no comportamento desses missionários?
Teria Jesus sido malicioso e ambíguo, ao dizer aos homens que nada levassem consigo, permitindo, ou talvez, exigindo, que as mulheres providenciassem meios para que levassem suas bolsas suficientemente providas de dinheiro, e trouxas com roupas e agasalhos para as noites, já que a temperatura era, às vezes, tão baixa, que os campos se cobriam de neve?
Os Evangelhos, pouco, ou quase nada dizem sobre o relacionamento de Jesus com mulheres. É interessante observar o que aconteceu com ele junto ao poço de Jacob, quando mandou que seus discípulos fossem à cidade em busca de alimentos, permanecendo ali inexplicavelmente sozinho. Certamente, antes de se encaminharem para a cidade, sedentos, tivessem se servido da água do poço, não somente eles, bem como o próprio Jesus.
Após a estranha partida de todos os doze, não ficando ali nenhum deles para lhe fazer companhia, aparece em cena uma mulher samaritana.
Já que foram em busca de alimentos, porque não foram somente alguns? Porque todos, só ficando ali Jesus em conversa com uma mulher?
Para entabular conversa, Jesus lhe pede água... e permanecem conversando amigavelmente, esquecendo-se da inimizade tradicional existente entre judeus e samaritanos.
Esse fato causou assombro até aos seus próprios discípulos. João, 4 - 27, diz: “E nisto vieram os seus discípulos, e maravilharam-se de que falasse com uma mulher; todavia nenhum lhe disse: - Que perguntas? ou:- Que falas com ela?” Que pensamentos suspeitos teriam passado por suas mentes?
Fazendo-se uma análise das referências a Jesus, através dos Evangelhos, vê-se que seus escritores mostraram mais suas qualidades negativas do que as positivas.
Por falta de um estudo aprofundado do que ali se encontra exarado taxativamente, quando o clero era composto, na sua quase totalidade, de membros incultos e iletrados, foi fácil, anos depois, no Concílio de Nicéia, fazer de Jesus um deus, já que era absolutamente impossível discutir o que fosse estabelecido em Concílios. Assim, Jesus-homem foi declarado homem-Deus, porém, cheio de atributos humanos, sem que houvesse a escoimação do que, futuramente, daria motivo a críticas irrespondíveis pelos estudiosos desvinculados das interpretações oficiais da Igreja.
As religiões cristãs e suas centenas de seitas passam por esses relatos sem o menor desejo de os examinar e interpretar racionalmente, distorcendo inescrupulosamente o que ali se encontra, fazendo dos seus adeptos um rebanho de cegos, surdos e mudos.
Vejamos o que dizem sobre Jesus, em algumas passagens dos Evangelhos:
Aconselhava a vagabundagem -Mateus, 6:25-26 - “Não andeis cuidadosos enquanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem, enquanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir: Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo mais do que o vestido?
Olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas?”
No versículo 28: “ E, enquanto ao vestido, porque andais solícitos? Olhai para os lírios do campo, como eles crescem: não trabalham nem fiam”.
Nos versículos 31 e 32, e 34: “Não andeis pois inquietos, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos? (Porque todas essas coisas os gentios procuram). Pois vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas essas coisas.
“Não vos inquieteis pois pelo dia d’amanhã, porque o dia d’amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal.”
Afrontava o clero judeu: Mateus, 23:2 a 4-: “Na cadeira de Moisés estão assentados os escribas e fariseus. Observai, pois, e praticai tudo o que vos disserem; mas não procedais em conformidade com as suas obras, porque dizem e não praticam.
No versículo 13: “ Mas ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois devorais as casas das viuvas, e isto com pretexto de prolongadas orações; por isso sofrereis mais rigoroso juízo.”
Em João,
( Entre todos os cleros, das mais diversas e prolixas religiões, esse procedimento continua inalterado: a exploração dos crentes em proveito próprio, inclusive apossando-se de propriedades de moribundos e viuvas, com promessas de indulgências).
Andava como mendigo: Lucas, 9:3 e Mateus, 10:9-10: “ Nada leveis convosco para o caminho, nem bordões, nem alforje, nem pão, nem dinheiro, nem tenhais dois vestidos”.
Não era caridoso: Mateus, 15:22-24: “Uma mulher cananéia lhe diz: “Senhor, Filho de David, tem misericórdia de mim, que minha filha está miseravelmente endemoninhada.” Mas ele (Jesus) não lhe respondeu palavra. E os seus discípulos chegando ao pé dele, rogaram-lhe, dizendo: - Despede-a, que vem gritando após nós. E ele (Jesus) respondendo, disse: “Eu não sou enviado senão às ovelhas perdidas de Israel.”
Marcos,
Querido por mulheres: Mateus, 26:7 e Marcos, 14:3 -”Aproximou-se dele uma mulher com um vaso de alabastro, com ungüento de grande valor, e derramou-lh’o sobre sua cabeça”. Em 27:55 - “E estavam ali olhando-o de longe muitas mulheres que tinham seguido Jesus desde a Galiléia, servindo-o”. João, 12:3, diz que Maria ungiu com o ungüento os pés de Jesus.
Desconhecido na sua terra: -Mateus, 13:54-56 - “E, chegando à sua pátria, ensinava-os na sinagoga deles, de sorte que se maravilhavam e diziam: D’onde vem a este a sabedoria, e estas maravilhas? Não é este o filho do carpinteiro? E não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, e José, e Simão e Judas? E não estão entre nós todas as suas irmãs?
Há uma certa confusão nas diversas traduções: não falam em Tiago:
- na Holy Bible consta o nome de “James”: “ Isn´t his mother´s name Mary, and aren´t his brothers James, Joseph, Simon and Judas? “
- na Bíblia da Societé Biblique Française, consta: “ Sa mère ne s´apelle-t-elle pas Marie, et ses freres Jacques , Joseph, Simon et Jude? “
- na Vulgata e na Bíblia grega: “Jacobus e IakwboV .
(Por ai se confirma que Maria tinha muitos filhos e muitas filhas e, Jesus, portanto, muitos irmãos.)
Desprezava os seus: - Mal humorado com sua mãe: João, 2:4 -”Mulher, que tenho eu contigo?” Lucas,
Dividia as famílias: -Mateus, l0:34:-37 - “Não cuideis que eu vim trazer paz à terra, mas a espada; porque eu vim por em dissensão o homem contra seu pai, e a filha contra a sua mãe, e a nora contra a sua sogra, e serão os inimigos do homem os que são seus familiares. Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim; quem ama o filho e a filha mais do que a mim, não é digno de mim”. Lucas, 12:5l-53, diz: “ Cuidai vós que vim dar paz à terra? Não, vos digo, mas antes a dissensão. Porque daqui em diante estarão cinco divididos n’uma casa: três contra dois, e dois contra três. O pai estará dividido contra o filho, e o filho contra o pai; a mãe contra a filha, e a filha contra a mãe; a sogra contra sua nora, e a nora contra a sua sogra”
Escandalizava seus discípulos: - João, 6:60 e 66: - “Muitos pois dos seus discípulos, ouvindo isto, disseram: “Duro é este discurso; quem o pode ouvir? Desde então muitos dos seus discípulos, tornaram para trás, e já não andavam com ele”.
Exploração de mulheres: - Lucas, 8:1-3 - (Resumido, não literal): Andavam de aldeia em aldeia , acompanhados de muitas mulheres que os serviam com suas fazendas. (Que fazendas seriam essas, quando nada levavam consigo? Onde e como essas mulheres conseguiam dinheiro para sustento desse grupo numeroso?
Expulso de onde andava:- Lucas,
Fora de si ou descontrolado: - João,
Furtava com seus discípulos: - Mateus, 12:l, Marcos,
( Certamente dão o nome de espigas a quaisquer coisas que servissem de alimentos, pois é inconcebível que comessem trigo, ou cevada, grãos incomestíveis “in natura”, a não ser por porcos ou outros animais).
Houve invasão de lavoura alheia, sem permissão dos proprietários, portanto furto, pelo que foram repreendidos pelos sacerdotes e seus guardas, certamente de maneira nada respeitosa, como costumam tratar os policiais aos infratores das leis.
Fariseus lhe demonstram amizade: - Lucas,
Família não cria nele: - Lucas,
Fugia nas horas de aperto: - João,
Irmãos zombavam de Jesus: - João, 7:1-3: “E depois disto andava Jesus pela Galiléia, e já não queria andar pela Judéia, porque os judeus procuravam matá-lo. Disseram-lhe pois seus irmãos: “Sai d’aqui e vai para a Judéia, para que também os teus discípulos vejam as obras que fazes”.
Irritadiço e mal humorado: - João, 2:4: “Disse-lhe Jesus (à sua mãe): Mulher, que tenho eu contigo?”. Mateus, 12:47-48: “E disse-lhe alguém: Eis que estão ali fora tua mãe e teus irmãos, que querem falar-te. Porém ele, respondendo, disse ao que lhe falara: “Quem é minha mãe? E quem são os meus irmãos? E estendendo a mão para os seus discípulos, disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos.”
Mateus,
Em João, 6:70, logo após Pedro lhe haver dito acreditar ser ele o Cristo, responde, “Não vos escolhi a vós os doze? E um de vós é o diabo!.”
Em Mateus,
Em Mateus, 21:18-19, amaldiçoa uma figueira por esta não ter frutos fora do tempo, e ela seca imediatamente. Foi uma espécie de magia-negra.
Em muitos outros momentos mostrou uma irritabilidade nada divina: como a matança dos porcos dos Gadarenos ( Mateus 8:28); ao dizer que veio lançar fogo sobre a Terra (Lucas, 12); ao pregar a desunião das famílias (Lucas, l2); Ao dizer que veio trazer a espada e não a paz (Mateus, 10).
Mentiria Jesus?: - João, 7:1-10 “ Convidado provocativamente por seus irmãos para ir à Judéia, (sabendo-se que lá pretendiam prendê-lo) disse-lhes: “Subi vós a esta festa: eu não subo ainda a esta festa.” Porém, conta depois: - “Mas, tendo seus irmãos já subido à festa, então subiu ele também, não manifestamente, mas como em oculto.”
Jesus não era caridoso - Em Mateus,
Não fazia milagres em sua terra: Mateus,
Não batizava: João, 4:2 ; - “Ainda que Jesus mesmo não batizava, mas os seus discípulos”.
Nada sabia de astronomia: - Marcos, 13-24-25: “ Ora, naqueles dias, depois d’aquela aflição, o sol se escurecerá, e a lua não dará o seu resplendor, e as estrelas cairão do céu, e as forças que estão no céu serão abaladas.”
Foi desobedecido: - Mateus, 10:6 e
Em Atos dos Apóstolos,
Em conclusão:
Seus seguidores, ou discípulos, nunca pensaram que Jesus viesse a se transformar em “santo”, muito menos em Deus, como dele fizeram os católicos.
Os escritos sobre ele, como vimos, não se referem a um ente divino, e sim a um simples mortal, com suas virtudes e suas deficiências.
Quanto a ser o “messias” esperado, seus discípulos se decepcionaram, conforme diz Lucas, 24: 20-21 - “ E como os principais dos sacerdotes e os nossos príncipes o entregaram à condenação de morte, e o crucificaram; e nós esperávamos que fosse ele o que remisse Israel; mas agora, sobre tudo isso, é já hoje o terceiro dia desde que estas coisas sucederam”.
O próprio Paulo, o verdadeiro fundador da doutrina referente a Jesus, não diz tê-lo visto ressuscitado, vivo, porém, como um “aborto”, isto é, um ser disforme ou monstruoso: em I- Corintios, 15:8, diz: “E por derradeiro de todos foi visto por mim, como por um abortivo”.
Na Vulgata: - “ Novissime autem omnium, tamquam abortivo, visus est et mihi”.
No original, grego:

Com base exclusiva no que consta dos Evangelhos, fica no ar a especulação do seu nascimento e do respectivo registro nos arquivos do Templo.
Quando Maria e José foram apresentá-lo ante os Sacerdotes, deve ter havido, naturalmente, uma série de perguntas, para que houvesse um registro legal:
- Como é o seu nome?
- Maria.
-E o nome do pai?
Teria Maria respondido: (?)
- O pai do menino é o Espírito Santo, isto é, o próprio Jeová!
Ou: “o pai do menino é José”, o que resultaria em terem os dois mentido num Tribunal do Templo.
O que diriam os Sacerdotes? Qual seria a reação natural ante esse fato completamente desconhecido e fabuloso nos anais do judaísmo? Maria teria sido julgada e condenada à morte por lapidação, como era costume entre os seguidores da Lei Mosáica nos casos de blasfêmia.
Quanto ao seu julgamento, foi claramente citado, com minúcias, no primitivo Evangelho de Mateus, tido pela Igreja como apócrifo. (Ver capítulo: Partenolatria).
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