Do nascimento da Terra ao Homem

A ciência moderna, recuando sempre, e cada vez mais, para o passado, vai criando escalonamentos à medida que novas descobertas vão surgindo. Foram estabelecidas "eras" para a vida do nosso planeta, meio pelo qual a Geologia estabeleceu a sua evolução.

Fora da ciência, caminhou passo a passo a sabedoria popular, atribuindo aos fatos influências misteriosas que, fugindo à sua compreensão, eram creditadas a um poder desconhecido, poderoso e invisível a que mais tarde deram o nome de Deus, que não significava divindade, e sim, desconhecido.

O Gênesis, compilação feita por Moisés, ou a ele atribuído, foi produto de cérebros privilegiados que surgem em todas as épocas e civilizações. Os fenômenos naturais eram apresentados de maneira empírica, sem maiores explicações, que somente séculos depois foram adquirindo conotações científicas.

Antes de quatro bilhões de anos uma "extensão" gasosa ia se concentrando em forma esférica, que, por força da atração molecular, foi se condensando. Um núcleo se formou adquirindo imensa temperatura, envolto numa atmosfera densa de gases de metais volatilizados. A luz do sol não conseguia atravessar as nuvens compactas que envolviam a Terra em formação. Uma imensa penumbra se estendia, iluminada por massas incandescentes que afloravam, líquidas, de uma crosta pastosa, "era" a que foi dado o nome de Arqueozóico.

Milênios se passam e já aparecem delgadas camadas em estágio de solidificação, boiando na massa pastosa. Outros milênios se escoam e a Terra escura tem sua conformação já solidificada; sua atmosfera já é menos densa deixando filtrar os raios do sol. Seria esse o primeiro dia bíblico da criação: “Fiat lux” (“Haja luz” - Gênesis, 1:3). E houve a separação da luz das trevas. Em sua rotação em torno de um eixo, fez-se o dia e fez-se a noite.

O solo era ainda bastante quente e repelia para o alto os vapores da água que, formando nuvens imensas, devolviam à Terra, em chuvas torrenciais, numa intermitência fantástica. Outros milênios se passam e chega a época que a Bíblia chama de segundo dia da criação: as águas se localizam nas partes baixas, formando os oceanos. Rios deslizam pelas planícies vindos das montanhas de que descem encachoeirados. A Terra estava pontilhada de vulcões em erupções ininterruptas provocadas pela solidificação recente que, contraindo o exterior sólido, fazia com que a massa interna, pastosa, se precipitasse através de fendas da crosta. O "céu", como uma máquina fantástica, transformava em água os vapores que subiam da Terra, e assim, havia água por cima da expansão e água debaixo da expansão. E começou Deus a chamar a expansão de céu, diz Moisés.

O terceiro dia da criação corresponde ao período em que a Terra estava devidamente estabilizada; os rios corriam serpenteando pelas terras baixas; geleiras se formaram nos pólos e nas mais altas montanhas e as estações climáticas estavam definidas. O céu continuava encoberto por espessas nuvens porém a luz do sol conseguia atravessar, difusamente esse manto, criando condições para que do solo surgissem vegetações.

O quarto dia bíblico corresponderia ao "primário" ou "paleozóico" da Geologia. A atmosfera se tornara límpida e o sol brilhava durante o dia e a lua resplandecia no céu noturno. As estrelas, aos milhões, tauxiavam a abóbada celeste. A vida surgira no mar e alguns milênios depois, a Terra estaria povoada de pequenos anelídeos.

O mais longo "dia da criação" seria o quinto. Marcou o aparecimento de animais voadores e de grandes monstros no mar e em terra. Seria o "secundário" ou "mesozóico", que abrangeu o período de duzentos e vinte e cinco milhões até sessenta e cinco milhões de anos. Nessa "era", o "carbonífero", a Terra se cobriu de florestas. O "terciário" ou "cenozóico", entre sessenta e cinco milhões até quatro milhões de anos corresponderia ao meio dia do sexto dia da criação. As aves e os animais, em suas múltiplas espécies, seriam quase todos os mesmos que conhecemos hoje, com exceção dos que se extinguiram no decorrer dos séculos. A segunda metade desse sexto dia estaria localizado, já, no "quaternário", desde quatro milhões de anos até os dias de hoje.

Dentre todos os animais, um teve preponderância sobre os outros, não por sua força física, nem por sua estatura, mas pelo fato de ter conseguido aplicar a sua inteligência no uso das suas mãos. A partir desse instante, o "homo sapiens", o mesmo Adão bíblico, assumiu a liderança entre todos os viventes que habitavam a Terra.

0 comentários: