Deus de Abrahão, Isaac e Jacob

O homem primitivo tinha uma concepção muito humanizada da divindade. Via a presença de um poder inexplicável em qualquer fenômeno natural. Quando esses acontecimentos lhe eram favoráveis, tais como boa colheita, chuvas, boa saúde, ou caça abundante, atribuía-os a uma entidade para a qual daria o nome, suponhamos, de Deus do bem, ou simplesmente Deus, isto é, um ser invisível, poderoso e protetor.

Quando esses acontecimentos eram desfavoráveis, tais como doenças, mau tempo, secas ou ausência de caças; trovões, relâmpagos ou raios, seriam manifestações de descontentamento de outra entidade, maléfica, que seria denominada de Deus do mal, ou simplesmente Demônio.

Indivíduos mais inteligentes e ardilosos surgiam para explorar a boa fé ou a ignorância dos seus semelhantes, dando origem aos pajés, curandeiros, adivinhos, classes que evoluíram através dos tempos, chegando hoje aos ministros de sofisticadas religiões.

Havia surgido, naturalmente, uma teoria que em futuro distante seria denominada de "maniqueismo" ou teoria dos contrastes. Se existe a noite, o seu contraste é o dia. Para o bem, há o mal. Para o forte, há o fraco e para Deus, haveria o Diabo. Um não poderia existir sem o outro. Se não existisse o Diabo, não se teria idéia do que pudesse ser Deus. A existência de um é indispensável para se chegar à conclusão da existência do seu oposto.

O homem moderno é muito presunçoso ao se julgar superior ao homem primitivo, habitante das cavernas, em questões de religião. A invocação de entidades sobrenaturais acompanha a humanidade desde que esta adquiriu consciência dos valores que a cercavam. A prerrogativa de distinguir o que é bom do que é mau, não é atributo único dos seres humanos. A racionalidade existe em cada espécie, à sua própria maneira. O animal raciocina a seu modo, deduzindo da mesma forma o que é bom para ele e o que não o é. O amor de uma fera por sua cria é tão sublime quanto o de uma mãe por seu filho. O homem tem tanto pavor do fogo quanto qualquer animal. Quando um deles se sente caçado durante o dia, passa a se valer da noite para suas incursões, isso por força de um raciocínio a seu modo, da mesma maneira que o homem quando quer praticar seus atos criminosos procura geralmente as sombras da noite.

Até os insetos adquirem resistências às drogas que os combatem depois de sofrerem suas ações mortíferas. Esse inseto "criou" um sistema de auto-defesa com a mesma eficácia dos homens ao produzirem suas vacinas. Isso teria sido em razão de um raciocínio, e não de um instinto simplesmente, do contrário a espécie seria totalmente destruída.

O homem, raciocinando à sua maneira, sem querer aceitar que o raciocínio de um animal atende perfeitamente à sua própria espécie, dentro das suas atividades vitais, não quer admitir que, somente ele, homem, é que vive em descompasso com a natureza. Sua sobrevivência foi sobrecarregada artificialmente de necessidades vitais, desnecessárias aos demais seres viventes. Estes não tem necessidades de indumentárias complicadas como as que se tornaram indispensáveis para a sobrevivência humana, nem de uma infinidade de utensílios domésticos.

Essa desarmonia do homem com a natureza fez com que sua sobrevivência dependesse da destruição de tudo ao seu redor, em devastações ininterruptas das fontes naturais de recursos, que, em futuro não muito distante, levará ao extermínio da vida na Terra. A vida animal selvagem já está quase totalmente destruída, e vai se extinguindo à medida que o homem invade os seus já escassos refúgios. Os minerais são transformados em tóxicos e armas com que se auto-destroem. Raciocinando "humanamente", o homem vem progredindo cada vez mais, criando e inventando meios sofisticados de destruição em massa, estupidamente, para destruir a si próprio.

O homem, que inventou tantos recursos para "destruir", é ainda pouco capaz de inventos para "salvar". Estão aí centenas de males que afligem a humanidade sem que se encontrem os meios de combatê-los. De todos os males que afligem a humanidade, a fome é o pior de todos. A migalha que cai da mesa dos ricos talvez fosse suficiente para mitigar a fome de todos os pobres do mundo.

Acreditam algumas religiões que o homem habita este planeta numa fase de evolução, de progresso, em relação a vidas anteriores, no entanto, nos dias de hoje, existem ainda homens das cavernas tão primitivos quantos os trogloditas que mal se distinguiam dos irracionais em épocas pre-históricas. Nesse raciocínio, ter-se á que admitir a existência de uma cornucópia que venha lançando, ininterruptamente, espíritos imperfeitos, dependentes de milhares de reencarnações para chegarem ao estágio atual que, por sua vez, dependerá de centenas de outras reencarnações para atingir a perfeição.

Não teria sido mais razoável que Deus tivesse produzido espíritos já perfeitos, dignos de um sábio inventor, ao invés de produzir produtos inacabados ou defeituosos? Ou teria ele o sádico desejo de assistir, divertindo-se, aos infernais sofrimentos impostos às criaturas que inventou?

Desde os tempos primitivos os forjadores de religiões se emaranham nas mais contraditórias teorias, quando lhes são solicitadas explicações para suas supostas confabulações com Deus. Chegaram ao absurdo de incutir na mente dos seus ignorantes seguidores, que têm a capacidade e o poder de transportar para um pedaço de pão o corpo do próprio Deus, daquele que criou todo o Universo, que criou os dias e as noites! Às vezes, mãos imundas, sujas de sangue de milhares de vítimas de uma sangrenta Inquisição que impuseram à humanidade; mãos impuras de atos libidinosos teriam, realmente, o poder de manipular Deus, seja num Templo, seja num lupanar, ao sabor das suas vontades?

Todas as religiões, na realidade, são invenções humanas para o domínio e exploração dos seus ingênuos semelhantes. Todos os ministradores de doutrinas se entrincheiram em dois subterfúgios para não serem desacreditados: o "mistério" e o "livre arbítrio". “O catolicismo emprega a palavra “mistério” para encobrir sua completa incapacidade de discutir ou esclarecer um ponto qualquer da sua ortodoxia.” (Jesus e Sua Doutrina, fl.363).

O homem, sendo obra imperfeita, teria saído das mãos ou da mente de um operário incompetente, o qual, através do que pregam, seria o próprio Deus, a quem, contraditoriamente, atribuem presciência e sabedoria infinitas. Justificam essa aberração dizendo que Deus deu ao homem o salvador "livre arbítrio".

Onde e quando teria Deus dito isto para conhecimento da humanidade?

Tão absurda e incongruente essa justificativa, como seria interpretada a disposição de um pai que deixasse seus filhos num aposento onde estivessem serpentes venenosas. O homem que assim procedesse, seria condenado ou justificado sob a alegação de que seus filhos dispunham do “livre arbítrio” para se defenderem?

As religiões não alardeiam a sabedoria divina dos seus deuses, que tem o conhecimento do passado, do presente e do futuro? Não apregoam que até os cabelos da cabeça são contados e que nem uma folha cai da árvore sem o consentimento de Deus? Então onde se situa o "livre arbítrio"? Deus conhecia, ou não, o que reservava o futuro para seus "filhos"? Não sabia qual deles seria o bom, e qual o mau; não sabia qual seria o criminoso e qual seria a vítima?

O homem não é um animal perfeito, portanto suas obras, tanto materiais quanto criações intelectuais, sofrem as deficiências das suas imperfeições.

O que pretendemos, no momento, é fazer uma pequena análise do Deus que Moisés outorgou aos hebreus.

Os semitas, escravizados ou não, que viveram no Egito por cerca de quatro séculos, e perderam, no correr desses anos, todas as suas identidades, se é que as possuíram, como pastores nômades que eram, nas regiões de onde provieram.

De acordo com a Bíblia, o Senhor teria ordenado a Abraão que saísse de Ur, sua pátria, para uma terra que lhe daria e com a promessa de fazer dele o pai de uma grande nação.(Gen.12:1). Abraão já não era jovem; tinha nessa época setenta e cinco anos de idade (Gen. l2:4). A promessa de Deus, que desceu do infinito para se defrontar com um simples habitante de uma terra escolhida , talvez por sorteio, entre as diversas daquelas regiões, foi bastante vago ao não determinar o local onde alojaria o seu protegido. Certamente Abraão se maravilhou, pois conhecia os diversos deuses sumerianos, e estes não eram de fazer promessas de terras que não fossem arrebatadas em incursões guerreiras ou através de escrituras em cartórios.

O extraordinário nessa narração é que Abraão já não residia em Ur, sua pátria, e sim em Harã, para onde teria sido levado por seu pai Terah. Após a morte deste, Abraão, já possuidor de bens e escravos, foi para Siquem, na terra dos cananeus, já com mais de 75 anos. (Gen.12:4).

O Senhor torna a lhe aparecer e lhe diz que era ali a terra que lhe prometera, (G.12:7), no entanto, Abraão não pôde permanecer ali por longo tempo, porque a oferta de Deus não foi concretizada, razão por que tivesse sido forçado a fugir, indo para as montanhas, perto de Betel, onde armou a sua tenda. Também não conseguiu permanecer nesse local, partindo depois para as bandas do sul.

A localização das terras que Deus prometera a Abraão parece ter sido numa zona inóspita, onde ele não conseguiu se fixar. Agora, surge uma calamidade que traz a fome à região, e Abraão teve que se refugiar no Egito.

Tendo saído de Harã com setenta e cinco anos, e se essa sua peregrinação tivesse durado dez anos, Abraão estaria com oitenta e cinco anos ao entrar no Egito. Conta a Bíblia, ou melhor, quem escreveu o Gênesis, que Sara, mais nova 10 anos que seu marido (Gen.17:17)) era extraordinariamente bela, a tal ponto que deslumbrou os habitantes egípcios, que foram levar tão agradável e estranha notícia ao Faraó.

Sabe-se que entre as monarquias antigas era hábito dos reis oferecerem, às vezes, até suas próprias filhas a outro rei com quem desejasse fazer aliança. O mais comum eram as ofertas de adolescentes educadas nos seus haréns, em permutas de gentilezas. Era uma honra insigne para a mais aristocrática família ter uma filha sob as graças do rei. Geralmente eram admitidas quando mal tivessem iniciado a puberdade, portanto entre onze e treze anos de idade. Aos cuidados de professores ou professoras da mais alta linhagem, recebiam uma educação aprimorada, entre literatura, música, pintura e, principalmente, a dança. Esse aprendizado tinha a duração de três anos, após o qual a jovem poderia ser apresentada ao Faraó. Havia haréns em que as donzelas se envelheciam sem ter gozado a privacidade do rei e mesmo nunca terem sido notadas por ele.

Observando esses pormenores, é que se pode aperceber da grandiosidade da beleza de Sara. Sendo esposa de um rude pastor nômade, sem qualquer educação palaciana, emigrante fugitiva da fome da terra de onde viera, naturalmente mal cheirosa devido à precariedade dos meios de higiene entre emigrantes pobres, teve o condão de superar todas as cerimônias de iniciação de uma concubina real e causar uma paixão incontrolável ao maior soberano da época. Uma semita, possivelmente mal educada, mal vestida, com oitenta anos de idade, precedeu dezenas de donzelas adolescentes no coração do rei. Assim está na Bíblia! Qual seria a aparência de Sara, octogenária, bailando “graciosamente”, com vestes transparentes, entre as beldades do harém do Faraó? A aceitação desse acontecimento seria um menosprezo à mais bronca inteligência!

Tudo isso teria acontecido a Abraão sob a proteção do seu Deus particular. (Mais tarde esse Deus estenderia sua proteção sobre Isaac e Jacob). Em Gênesis, 12:16, consta: "E fez bem ( o Faraó) a Abraão por amor de Sara; e ele teve ovelhas e vacas, e jumentos, e servos e servas, e jumentas e camelos".

Essa riqueza toda não teria sido obtida da noite para o dia. Subentende que a ligação amorosa do Faraó com a maravilhosamente linda octogenária foi duradoura. Sara deveria ter sido concubina por longo tempo, do contrário não haveria nem motivo nem tempo para essas doações fabulosas.

Depois que Abraão se tornou imensamente rico, o seu Deus resolveu castigar o Faraó proporcionando-lhe grandes pragas, talvez porque tenha havido algum desentendimento do Faraó com sua amiga Sara. Abraão foi expulso do Egito (Gen.12:19) levando em sua companhia seu sobrinho Lot, que também se enriqueceu à sombra de sua tia Sara.

Abraão e Lot se desentenderam, possivelmente quando tentaram fazer a divisão das riquezas conseguidas no Egito; separaram-se, porém Abraão permaneceu em Canaã.

O seu Deus lhe diz: -"Olha para o Norte e para o Sul, para o Oriente e para o Ocidente, porque toda esta terra que vês hei de dar a ti e à tua semente, para sempre!"(Gen.13:14-15). Abraão fixou residência nas proximidades de Hebron. Tempos depois seu Deus volta a lhe dizer:- "Não temas, Abraão, eu sou o teu escudo, o teu grandíssimo galardão. Olha para os céus e conta as estrelas, se as pode contar. Assim será a tua semente." (Gen.15:1-5).

Esse apoio incondicional desse Deus a Abraão, sem fazer quaisquer restrições, levou seus descendentes a cometerem os mais revoltantes crimes da história do povo judeu. Teria sido muito mais razoável que o Deus protetor de Abraão não se mostrasse tão pródigo em promessas a não ser que fosse o próprio Satanás!

Essas promessas do Deus de Abraão, de Isaac e de Jacob nunca foram cumpridas. A história do povo judeu foi sempre de submissão a povos estrangeiros e nunca chegou a gozar uma independência duradoura. Suas populações periodicamente eram dizimadas por perseguições sangrentas, inclusive da Igreja Católica Romana que, entre os anos 380 até meados de 1800, queimou nas fogueiras da Inquisição centenas de milhares de judeus. Seu ódio era tal aos compatriotas de Jesus, que, talvez nem ele próprio se livraria da fogueira se ressuscitasse, principalmente durante o pontificado de Inocêncio III.

Os escritores da Bíblia, ou história do povo judeu, não deixaram de ser irresponsáveis ao inventarem essa série de lendas, estórias inacreditáveis, uma infinidade de promessas atribuídas a Deus, como se ele fosse um pretendente a algum cargo eletivo. Sua proteção a Abraão, Isaac e Jacob torna-se impossível de ser admitida, tendo em vista as vidas desregradas e delituosas desses protegidos, de acordo com o que está registrado na Bíblia.

Tão infundadas eram essas promessas que atribuíram ao Deus de Abraão, que este continuou sempre com uma vida errante de nômade.

Sara estaria com mais de setenta e seis anos de idade e, mesmo assim, a sua deslumbrante beleza física hipnotizou o rei Abimelech, de Gerar, outro potentado que a tomou para seu harém (Gênesis, 20:2) Consta da estória que o Deus de Abraão apareceu a Abimelech, em sonho, e o ameaçou caso se envolvesse com Sara. Abraão, no entanto, nada reclamou, pois sua experiência com o rei do Egito proporcionou-lhe grandes riquezas. Abimelech devolveu Sara a Abraão, "sem tocá-la". Só para pagamento do prazer que teve em poder contemplar a beleza da maravilhosa velhinha dentro dos seus aposentos, sem ao menos "tocá-la", deu a Abraão ovelhas e vacas, servos e servas, mais um presente de mil moedas de prata. (Gênesis, 20:14 e 16).

Dizem que a Bíblia é a própria e verdadeira palavra de Deus revelada aos seus profetas, portanto essa estória de Sara e seus amores, da permissividade do seu espertíssimo marido, que soube sempre tirar o máximo de proveito dos "encantos" da sua senecta esposa, é verdadeira e aconteceu realmente, na afirmativa de diversas religiões.

Sara teria sido uma mulher fenomenal. Foi estéril durante todos seus anos de juventude. Com noventa anos de idade teve um filho que recebeu o nome de Isaac. Este, mais tarde se casa com outra mulher estéril: Rebeca, que, alguns anos depois, consegue conceber, e dar à luz dois filhos, gêmeos: Esaú e Jacob.

Esaú foi caçador rude e peludo (Gen. 27:11) e foi ludibriado por sua mãe e por seu irmão Jacob, predileto desta, que lhe roubaram os direitos de primogênito.

Indignado com a infâmia praticada contra si, Esaú promete à mãe que mataria Jacob. Rebeca faz com que este fuja para a casa de um seu irmão, em Harã, com aprovação de Isaac (Gênesis, 28:2), que, aparentemente não fez qualquer objeção à espoliação sofrida por Esaú, embora este fosse o seu predileto.

Em Harã, já na casa do seu tio Labão, enamora-se de Raquel, sua prima, e pede-a em casamento. Labão dá seu consentimento sob a condição de que trabalhasse para ele durante sete anos. Decorridos esses anos, na noite dos esponsais, Labão mancomuna-se com sua primogênita Leah, e a introduz na câmara nupcial, ludibriando sua irmã Raquel, e seu agora já marido. Jacob deveria estar completamente embriagado, tanto que não notou qualquer diferença entre a mulher que lhe impingiram e Raquel, de quem era noivo há sete anos.

Descoberta a fraude e ao ser interpelado por Jacob, Labão, cinicamente, lhe diz que para obter Raquel, teria que lhe prestar serviços por mais sete anos. Nesse período, ambos tentam se enganar, mutuamente. Num acordo sobre criação de cabras, Jacob ludibria seu sogro e passa a ser proprietário de maior quantidade de animais

Raquel era estéril, o que veio dificultar o cumprimento da promessa que seu Deus lhe fizera, de aumentar como as estrelas do céu os seus descendentes. Seu próprio Deus se enganava em suas previsões. Para conseguir herdeiros, Jacob viveu promiscuamente com sua cunhada Leah e com as sevas Bilha e Zilpah e, como mais tarde terminasse a esterilidade de Raquel, teve com ela dois filhos; conseguindo, então, com as quatro, um total de doze filhos homens e de uma filha, a quem deram o nome de Dinah.

Depois de diversos desentendimentos entre Jacob e seu tio Labão, o seu Deus lhe ordena que fuja sob sua proteção: “ E disse o Senhor a Jacob: torna-te à terras de teus pais, e à tua parentela, e eu serei contigo”. (Gênesis, 3l:3)

Jacob armou sua tenda, em Canaã, nas proximidades das terras de Siquem, filho de Hemor. Sua filha Dinah quis visitar as moças da região e, no campo, se encontra com o jovem Siquem, e se entrega a ele sem qualquer resistência mencionada. Não se sabe quem foi o sedutor, mas o certo é que Dinah o acompanhou e manteve relações íntimas com ele. Siquem, alem de honesto, seria inexperiente, pois se apaixonou pela moça que tão facilmente se lhe entregara, e, talvez tivesse sido esse o primeiro relacionamento dele com uma mulher, e pediu a seu pai que a fosse pedir para esposa ao novo vizinho.

Jacob concordou, com a condição de que, tanto Hemor como seu filho, e todos os homens que viviam em sua casa se circuncidassem, de acordo com o costume adotado por Abraão ao completar 99 anos de idade. (Gen. 17:24).

Concordando com essas condições, todos da casa de Hemor se submeteram, e se fizeram circuncidar.

No terceiro dia, quando as cirurgias feitas provocaram a maior inflamação nos pacientes, deixando-os acamados, os filhos de Jacob invadem suas casas, matam todos os habitantes do sexo masculino, inclusive crianças, saqueiam suas casas e roubam todos os seus pertences, rebanhos, inclusive, suas mulheres e filhas. (Gen. 34:25-29).

A conselho do seu Deus, que não reprovou esse pavoroso crime (Gen.35-1), por medo dos habitantes da região, Jacob foge com os seus para Betel, onde arma suas tendas. Seu Deus, estando de acordo com toda a iniquidade praticada por seus protegidos, aterrorizou as cidades vizinhas para evitar que seus habitantes perseguissem os celerados criminosos.(Gen.35:1-5 “E partiram, e o terror de Deus foi sobre as cidades que estavam ao redor deles, e não seguiram após os filhos de Jacob”).

Por esses relatos bíblicos, vê-se que o Deus de Abraão nada tinha de divino, sendo mais identificado com um deus das potências infernais.

Mais tarde, os filhos de Jacob vendem um dos irmãos para uns caravaneiros que partiam rumo ao Egito.

Assim eram Abraão, Isaac, Jacob e o seu Deus protetor!

Não seria esse Deus de Abraão um ser disforme e alienado, criado por uma mente doentia?

Quando um pai ignorante espanca barbaramente seu filho por uma falta oriunda da sua inocência, condenando-o a viver fora do seu lar, ao relento, sob as intempéries, só porque lançou mão de um alimento que lhe fora proibido, que monstro não seria esse pai ao ser julgado por um Tribunal .

Pois esse Deus de Abraão não procedeu de maneira idêntica ao arrasar com sua criatura, pessoa completamente inocente, recem-criada, sem contato com outros semelhantes, inexistentes, ao condená-la sem qualquer oportunidade de defesa, sem um mínimo de condescendência ou caridade, a ser expulsa do seu lar, o Eden, e viver miseravelmente, pois não conhecia qualquer meio de subsistência e a viver como os animais selvagens.

Assim consta dos ensinamentos bíblicos!

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